UMA MELODIA AO LONGE
Acordei ouvindo uma música ao longe...
Bem ao longe.
Uma suave melodia.
Tentei adivinhar de onde vinha.
Naquela hora da manhã todos dormiam, pensei. Quem estaria a ouvir música?
Em casa todos ressonavam tranquilamente. Fiquei a ouvir a respiração de
meus filhos. Dormiam como anjos.
Eu pensei em me levantar.
Mas estava tão gostoso estar sob as cobertas, ouvindo aquela canção.
Um galo também cantou em algum lugar e um pássaro matutino sobrevoou minha
casa cantando estridentemente.
Fiquei pensando na vida, em todos os acontecimentos dos últimos tempos.
Comecei a me espreguiçar. Bocejei. Pensei.
Procurei pelos chinelos, me levantei e me comportei como faço todas as
manhãs.
Só demorei um tempo maior na frente do espelho.
Fiquei olhando para aquela figura ali refletida e pensei que um dia eu
prometi à menina que fui que encontraria o caminho da felicidade.
Como se fossemos desbravadores de tesouros enterrados pelo mundo afora!
A felicidade que a menina desejava esteve tantas vezes se mesclando ao
sofrimento.
Achei que devia satisfações a ela e tentei conversar com o meu silencioso
eu que a guarda ainda. Eu lhe disse que tentei. Que tantas vezes me suplantei.
E uma voz dentro de mim tão antiga pareceu me dizer: E eu não sei!
A música eu já não ouvia. Amanhecia, mas era uma manhã nova dentro de mim
que nascia.
sonia delsin

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