sexta-feira, 16 de maio de 2014



UMA MELODIA AO LONGE

Acordei ouvindo uma música ao longe...
Bem ao longe.
Uma suave melodia.
Tentei adivinhar de onde vinha.
Naquela hora da manhã todos dormiam, pensei. Quem estaria a ouvir música?
Em casa todos ressonavam tranquilamente. Fiquei a ouvir a respiração de meus filhos. Dormiam como anjos.
Eu pensei em me levantar.
Mas estava tão gostoso estar sob as cobertas, ouvindo aquela canção.
Um galo também cantou em algum lugar e um pássaro matutino sobrevoou minha casa cantando estridentemente.
Fiquei pensando na vida, em todos os acontecimentos dos últimos tempos.
Comecei a me espreguiçar. Bocejei. Pensei.
Procurei pelos chinelos, me levantei e me comportei como faço todas as manhãs.
Só demorei um tempo maior na frente do espelho.
Fiquei olhando para aquela figura ali refletida e pensei que um dia eu prometi à menina que fui que encontraria o caminho da felicidade.
Como se fossemos desbravadores de tesouros enterrados pelo mundo afora!
A felicidade que a menina desejava esteve tantas vezes se mesclando ao sofrimento.
Achei que devia satisfações a ela e tentei conversar com o meu silencioso eu que a guarda ainda. Eu lhe disse que tentei. Que tantas vezes me suplantei.
E uma voz dentro de mim tão antiga pareceu me dizer: E eu não sei!
A música eu já não ouvia. Amanhecia, mas era uma manhã nova dentro de mim que nascia.


sonia delsin

Nenhum comentário:

Postar um comentário