UMA LOUCA CARTA DE AMOR
Minha alma gêmea, ontem nós tínhamos um encontro marcado.
Nem sabíamos, mas tínhamos.
Ontem nos reencontramos.
Eu o reconheci de imediato e falei.
Você riu. Zombou. Não acreditou.
Depois... bem, depois você refletiu.
Muito pensou e com minhas idéias concordou.
Foi um encontro onde duas almas se despem de sonhos antigos.
Despem-se de sonhos atuais.
De momentos reais.
Então nos estendemos num ontem...um ontem muito longínquo e deparamos com
absurdas constatações.
Sentimos tantas emoções.
Revistamos porões.
Amargamos com deplorações situações.
Então já não éramos desta época de agora e nem queríamos ser.
Éramos de um outro tempo. Mas o de agora nos cobrava.
Havia momentos em que éramos dois jovenzinhos a correr... a correr...a
perseguir um amor impossível.
Noutros éramos dois adultos querendo abraçar quimeras.
Querendo reviver outras eras.
Numa simbiose perfeita vivíamos passado e presente.
Tudo misturado. A sala a contar passagens. A sala sendo visitada.
Não mais a sala, mas vozes...
Vozes chegavam onde antes morava o silêncio.
Tempo de encantamento.
Tempo de loucuras mil...
Por fim a dor, a distância. Um novo adeus?
Não agüentamos o peso dos anos. A cobrança dos dias e também o passado que
vinha ora leve, ora pesado como chumbo.
Era mais eu a sentir, eu a dizer, eu a mostrar...
E era você fugindo de meu olhar. De meu sonhar, de meu cobrar.
Mas nossas mãos que distantes estão se buscam. Nossos olhos que não cruzam
enxergam através de olhos eternos.
Meu amor, a verdade é que nos distanciamos por força das circunstâncias,
mas algo irremediavelmente nos aproximou. Nos aproxima.
Foi o eterno que nossa estória guardou e que de novo frente-a-frente nos
colocou.
Somos um do outro, ou fomos...
Já não sei mais.
Vivemos fugindo dos sentimentos, mas ele existe e insiste.
Sempre fui sua e sou. Mesmo que não vejamos mais.
Mesmo que o vento do tempo o carregue até outro momento lá na frente. Num
tempo vindouro pode dar certo de continuarmos nossa estória. Ou mesmo nesse.
Quem sabe? Quem garante que tudo acabou?
Se seu olhar no meu mergulhou e eu lhe reconheci como meu amado de sempre
quem vai nos separar? A vida que parece de nós dois zombar? Uma feiticeira que
brinca de nos aproximar?
Sei apenas que minha alma gêmea me chegou e eu a toquei com sutis dedos do
bem-querer.
Mas ela se amedrontou perante o peso de tantas vidas guardadas.
E eu também me assustei, mas foi com tantos desencontros... noutras vidas,
nesta...
Mas acredito ainda que haverá outras... algo me diz que ainda haverá tempo
para nós...
sonia delsin

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