sexta-feira, 16 de maio de 2014



PAI... ME OUÇA


Pai, meu peito está doendo tanto e quero lhe falar.
Eu sei que o seu coração já parou de bater aqui na terra dos homens. Eu vi você partindo.
Sabe, estou com saudades de nossos papos. Eram tão legais.
Quando nós ficávamos sob as murtas falando tanta coisa.
Pai, aquelas horas foram encantadoras e nossas conversas tão especiais.
Eu poderia ligar para minha mãe e abrir o coração com ela. Mas você e eu sabemos que não posso fazer isso. Não posso ficar levando meus problemas para ela.
Pai, eu estou com vontade de jogar conversa fora, de sentir sua presença.
Que egoísta estou sendo. Você vive num outro plano e deve estar tratando de tanta coisa por aí. E sei que de alguma forma é presença em minha vida.
Mas eu queria mais hoje. Queria poder lhe ouvir.
Queria você perto de mim. Queria seu olhar e coisas assim.
Pai... é de colo que estou precisando. É de seu ombro, de sua voz, de seus olhos.
Mas, você sabe de tudo isso. Sabe até o quanto estou sendo tola em desejar sua presença.
Os anos passam... e você faz uma falta enorme.
Eu sei que você precisou ir, sei que o meu caminho preciso continuar trilhando.
Pai, você não quer me ver triste, nunca quis. Levava-me para outros lugares quando sentia que as coisas estavam me machucando. Você sabia levar em dois tempos minha tristeza embora. Começava a me contar as coisas, falava sobre tantos assuntos que eu adorava ouvir.
Nestas horas em que a tristeza me invade eu gostaria de poder sentir seu abraço.
Esta carta é só um desabafo. É a vontade que estou sentindo de suas mãos nos meus cabelos. É a vontade de sua voz.
Eu só lhe peço que me ouça e sei que você está me ouvindo. Mais que isso, você vive me sentindo. Não é mesmo?

sonia delsin 

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