MÃE, ESTA É UMA LEMBRANÇA APENAS...
Eu ainda não havia completado seis anos.
Tudo me vem à mente e as décadas que se passaram desde então se
tornam nada.
Eu a olhava e meu coração tremia. Não sabia das coisas do mundo.
Mãe, você nem pode imaginar como eu sofri!
Via sua barriga crescendo e como havia morrido uma parenta nossa
por aqueles dias com uma doença ingrata ficava imaginando que também você
partiria.
Eu a havia visitado juntamente com a noninha e vira a barriga imensa.
Guardei aquela imagem infeliz dentro de meu coraçãozinho de criança.
Você caminhava, trabalhava e não procurava o leito durante o dia,
mas o crescimento de sua barriga me assustava.
Não fazia perguntas porque temia as respostas que poderia
receber.
Não tinha ideia do que significava aquele crescimento descomunal
em seu abdome.
Um dia eu a vi levar um tombo e me assustei (pensei que a barriga
pudesse estourar).
Eu sempre ficava imaginando as piores coisas.
O tempo passava e eu via a sua barriga cada vez mais inchada.
Sofria calada e temia que a qualquer hora você pudesse morrer como
nossa parenta.
Então, numa noite, a nona me levou ao quarto juntamente com meus
irmãos e ficamos lá trancados.
O que significava tudo aquilo?
Eu percebia que havia um clima na casa, mas não tinha ideia do que
seria.
Até que ouvimos o choro de um recém-nascido.
Vieram nos mostrar um bebê embrulhado em panos.
Estava um tanto vermelho, os olhos tão fechadinhos, mas eu o amei
instantaneamente.
Nossa velha avó nos contou que a cegonha havia passado por nossa
casa e entregado aquele presente especial.
Ó, minha querida, eu fiquei sem entender o porquê de sua barriga
ter murchado. Engoli a estória da cegonha e amei o meu irmãozinho lindo que
havia chegado.
Era assim antigamente.
sonia delsin

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