UM BELO CASAL, UMA BELA MANHÃ...
Eu andei bastante e fui pelo caminho admirando as árvores, as flores, as
casas, os pássaros e tudo o mais.
Ia pensando na vida. Nada melhor do que fazermos caminhadas sozinhos para
nos colocarmos a refletir.
Resolvi passar por uma rua muito arborizada e vi um casal de joão-de-barro.
Eles caminhavam pela calçada e era uma coisa muito linda de se admirar.
Os dois caminhavam bem próximos um do outro e me parecia que se punham a
dialogar em certos momentos.
Eu parei para observar. Fiquei bem quietinha olhando e me emocionei. Os dois
eram lindos.
Comecei a me lembrar meus tempos de menina e as lágrimas foram chegando.
Eles não voaram com a minha aproximação. Parecia que nem se importavam
comigo ali. Fui me aproximando lentamente. Poderia tocá-los, se quisesse.
Mas não o fiz.
Então me chegou uma lembrança da minha infância. Eu fazia exatamente como
fiz hoje. De maneira sorrateira eu me aproximava, aproximava. Só que naquele
tempo eu pegava o pássaro em minhas pequeninas mãos. Só para sentir o prazer
de tocá-los. Sentir o calor de seus corpinhos. Depois soltava.
Eu estava muito próxima dos pássaros. Podia pegá-lo e sentir de novo o
prazer que sentia nos meus tempos de criança, mas não! Meus olhos se
contentam agora em olhá-los e meu coração
Eles
Em
envolver, me abranger. Fiquei por um momento presa àquele olhar. Ele
saltitou feliz. Como a me dizer que entendia que eu o amava, que ele podia
sentir o quanto eu amo a natureza. Foi coisa de um momento.
Me pareceu que ele (a) falou à companheira (o) e os dois ficaram mais um
tempo ali a procurar algo no chão. Depois voaram em direção a um muro.
Então um cão se aproximou e veio sentir meu cheiro. Eu brinquei com ele e
segui meu caminho
ainda permanece ali, ainda guarda dentro de si o calor de um corpinho de
pássaro. A menina que sempre se encantou com o mundo vive dentro de mim, da
mesma forma que sempre viveu.
sonia delsin

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