UM PEDIDO DE PERDÃO
Pai. Você está tão longe agora.
Tão distante.
Digo isso pelo fato de não podermos nos ver,
conversar, abraçar.
Porque duas pessoas que se amam nunca conseguem se
separar.
Meu querido, os anos continuam a correr aqui em
baixo.
Como sabe criamos este marcador maluco que conta as
horas no planeta. Os minutos. Os dias, anos, meses, séculos...
Às vezes me parece que faz um século que não o vejo.
Em outros momentos parece que está aqui falando
comigo.
Uma conversa tão íntima, tão ao pé do ouvido.
Parece que estamos sob as murtas dialogando.
Pai, eu passei por tanta coisa desde que você
partiu.
Mas algo me diz que você sabe de tudo e está aí
torcendo por mim.
Eu tive que experimentar a dor com muita intensidade
nesta vida.
Tive mesmo que conhecer a fundo a dor da ferida.
Era meu carma? Estava escrito? Era minha missão?
Vim preparada para esta encarnação?
Acho que vim. Eu penso que sim.
Talvez os meus pensamentos sejam bem diferentes de
muitos dos que me leem e dos seus quando aqui vivia.
Lembra que eu lhe dizia?
Eu achava que precisava lhe falar. Tinha estes
pensamentos e tentava lhe mostrar que a vida continua em outro lugar.
Mas eu preciso lhe pedir perdão, meu querido pai,
por uma atitude que precisei tomar. Talvez aí você esteja a me recriminar. Ou
não?
Aí você deve ler meus pensamentos e sentir meu
coração.
Eu tinha que fazer o que fiz. Tinha que cortar o mal
pela raiz.
Sabe do que falo. Eu sei que sabe.
Você acompanhou os meus passos? Quantas vezes quando
sucumbia me senti nos seus braços.
Pai. Será que você conseguiu me entender? Será que
compreendeu o meu sofrer?
Algo me diz que tudo isso de certa forma foi
compartilhado com você e não só com você. Existem muitos mistérios.
Estou agora na reta final. Abrace-me e me entregue
um daqueles seus olhares. Aquele bem especial.
Porque daqui eu
posso sentir seu carinho e encontro mais força pra seguir.
sonia delsin

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