sexta-feira, 16 de maio de 2014


UM PEDIDO DE PERDÃO

Pai. Você está tão longe agora.
Tão distante.
Digo isso pelo fato de não podermos nos ver, conversar, abraçar.
Porque duas pessoas que se amam nunca conseguem se separar.
Meu querido, os anos continuam a correr aqui em baixo.
Como sabe criamos este marcador maluco que conta as horas no planeta. Os minutos. Os dias, anos, meses, séculos...
Às vezes me parece que faz um século que não o vejo.
Em outros momentos parece que está aqui falando comigo.
Uma conversa tão íntima, tão ao pé do ouvido.
Parece que estamos sob as murtas dialogando.
Pai, eu passei por tanta coisa desde que você partiu.
Mas algo me diz que você sabe de tudo e está aí torcendo por mim.
Eu tive que experimentar a dor com muita intensidade nesta vida.
Tive mesmo que conhecer a fundo a dor da ferida.
Era meu carma? Estava escrito? Era minha missão?
Vim preparada para esta encarnação?
Acho que vim. Eu penso que sim.
Talvez os meus pensamentos sejam bem diferentes de muitos dos que me leem e dos seus quando aqui vivia.
Lembra que eu lhe dizia?
Eu achava que precisava lhe falar. Tinha estes pensamentos e tentava lhe mostrar que a vida continua em outro lugar.
Mas eu preciso lhe pedir perdão, meu querido pai, por uma atitude que precisei tomar. Talvez aí você esteja a me recriminar. Ou não?
Aí você deve ler meus pensamentos e sentir meu coração.
Eu tinha que fazer o que fiz. Tinha que cortar o mal pela raiz.
Sabe do que falo. Eu sei que sabe.
Você acompanhou os meus passos? Quantas vezes quando sucumbia me senti nos seus braços.
Pai. Será que você conseguiu me entender? Será que compreendeu o meu sofrer?
Algo me diz que tudo isso de certa forma foi compartilhado com você e não só com você. Existem muitos mistérios.
Estou agora na reta final. Abrace-me e me entregue um daqueles seus olhares. Aquele bem especial.
Porque daqui eu posso sentir seu carinho e encontro mais força pra seguir.

sonia delsin

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